terça-feira, 16 de junho de 2015

Projeto Poupa Laís - 1º Mês



Oi!

Eu to super feliz de anunciar que ontem foi o último dia do primeiro mês do Projeto Poupa Laís! =D Achei que passou rápido, e vocês?

Eu não acertei tudo de cara mas, ainda assim, já notei uma grande diferença (no cartão de crédito especialmente)!

Se você tá chegando agora e não tá entendendo nada do que eu tô falando, aqui vai a explicação: O Projeto Poupa Laís foi uma iniciativa inaugurada aqui no blog no dia 15 de maio que é nada mais nada menos que uma tentativa de economizar dinheiro. Pra saber como funciona o projeto e o que me motivou, clica aqui!

Para aqueles que já estão acompanhando, vamos refrescar a memória!



Achei que o melhor jeito de fazer um resumão seria repassar ponto por ponto e dar uma idéia geral sobre o que eu consegui manter ou não. Vamos aos resultados!

Eu não posso comprar NENHUM livro

Essa é difícil, mas eu cumpri com 100% de sucesso. Acho que essa meta já diminuiu em 90% as minhas idas à Livraria Saraiva. Isso é um ponto importante: quanto menos eu vejo, menos eu quero. Se você quer evitar gastar dinheiro, evite aquelas lojas que chamam muito sua atenção. Funcionou pra mim!

Eu não posso comprar NENHUM material de papelaria

Esse item eu também cumpri 100%. Não comprei nada relacionado à papelaria nesse tempo, o que é ótimo, porque geralmente essas coisas são caras. Já tentou fazer uma comprinha casual na Papel Craft? Pois é, um susto no bolso! Tá aí um gasto que pode ser evitado sem afetar muito sua vida.

Eu não posso comprar NENHUM item de maquiagem

Eu não comprei NENHUMA maquiagem durante esse mês. Sério! Embora eu esteja super bem abastecida de sombras e batons, meu único BB Cream está dando seus últimos suspiros e eu to morrendo de medo dele acabar e eu ficar sem nada até o ano que vem (eu não tenho base!). Enfim... vou deixar pra pensar nisso quando a tragédia finalmente acontecer! Haha


Eu só posso jantar fora DUAS vezes por semana

Esse item não foi 100% porque eu furei em uma das semanas. Mesmo assim, achei que no geral funcionou muito bem. Cozinhar toma tempo, e qualquer ida ao mercado é um gasto considerável, mas com tudo isso, ainda sai muito mais em conta do que comer fora. Eu quero muito ter 100% de sucesso nessa meta durante o próximo mês.

Eu só posso gastar até R$ 150,00 em roupas ou acessórios por mês

Esse item foi quase 100%! Haha Eu precisei comprar um casaco e um cinto que custaram respectivamente R$139,00 e R$11,90, ou seja,  R$150,90!!! Passei a meta estabelecida em apenas R$0,90. Pra compensar, esse mês só vou dispor de R$149,10. Acham justo?

Eu só posso ir ao cinema UMA vez por mês

Eu não fui ao cinema nenhuma vez durante esse período! Acho que fiquei com tanto medo de “gastar” minha vez com algum filme que não valesse a pena que fiquei seletiva demais. Tô pensando se eu considero essa chance "queimada" ou se utilizo em algum outro mês. O que vocês acham?

Eu só posso gastar até R$25,00 no almoço

Essa é, sem dúvida, a meta mais difícil! Eu tive muita ajuda porque comi na casa da minha avó muitas vezes (durante o feriado), viajei a trabalho e tive alguns compromissos também de trabalho nos quais eu não tive que desembolsar nada durante os almoços. O chato é que sobram poucas opções de lugares onde eu possa comer com esse valor. E, além disso, quando é na zona sul fica ainda mais difícil achar algo dentro desse preço. Pela dificuldade, achei melhor adaptar a meta só pra variar e não deixar a regra muito complicada de manter: UMA VEZ POR SEMANA eu posso ultrapassar esse valor. Acho que essa exceção vai tornar a regra mais fácil de seguir no geral.

Eu vou anotar todos os meus gastos

Eu anotei. Durante os três primeiros dias! A tarefa que deveria ser a mais fácil acabou sendo a mais impossível e tudo por culpa de preguiça e muita amnésia seletiva. Eu sempre esquecia de anotar na hora e depois não lembrava do valor exato... enfim, culpa totalmente minha. Eu realmente acho que anotar ajuda no processo. Você fica mais consciente do quanto de dinheiro está saindo a cada compra que você faz. A partir de amanhã o caderninho ficará direto na minha bolsa e eu vou tentar com mais afinco deixar ele em dia.

No geral, achei que a evolução foi muito boa e acarretou de cara numa redução de R$600,00 no meu cartão de crédito. 


Dez pontos pra Grifinória!


Esse resultado me deixou mais motivada a manter o desafio e, quem sabe, até cortar mais alguns gastos que eu nem tinha previsto anteriormente.

Além disso, achei que ter essas metas me fez pensar um pouco mais nos gastos e ser menos impulsiva. Por não ter muita brecha, acho que me forcei mais a avaliar o que de fato era essencial ou, pelo menos, mais importante.

Pra resumir: to feliz e vou seguir em frente!

E vocês? Como acharam que eu me saí?

Como vão os projetos de economia de vocês? 

Tô curiosa pra saber se vocês também estão conseguindo poupar!

Contem tudo nos comentários! =)

sábado, 13 de junho de 2015

Lista de Desejos Consumistas #3



Oi!

Enquanto eu faço o máximo pra manter de pé o Projeto Poupa Laís (e já tivemos alguns avanços!), olhar algumas novidades e sonhar com algumas comprinhas impulsivas não tira pedaço! haha

Por isso, achei que tava na hora de dividir com vocês esses achados que merecem ser vistos e apreciados.

Vamos lá?



"Olha todas essas coisas que eu ainda não posso comprar!"





1 - Livro Novel Interiors
Esse livro é apenas uma combinação maravilhosa: literatura + decoração! Ele te dá dicas sobre como decorar seu lar com referências inspiradas em romances clássicos como Razão e Sensibilidade, O Morro dos Ventos Uivantes e o Retrato de Dorian Grey. Ele pode ser comprado na Amazon por US$ 25,82.

2 - Sapatilha Tutu por Melina Souza
A Mel, do blog A Series of Serendipity, lançou uma coleção muito fofa com a marca Tutu Ateliê de Sapatilhas que é composta por esse modelo da foto (Sweet Mint Serendipity) e um outro (Nude Serendipity) com um tom nude mais rosado. Pode querer os dois? Cada um custa R$165,00.

3 - Perfume La Petite Robe Noire
Faz tempo que estou louca pra ter esse perfume. Como qualquer produto da Guerlain, ele é apenas fantástico e tem um cheiro de riqueza, do jeito que eu gosto, bem floral e um pouco doce. O frasco da versão Eau de Parfum com 30 ml pode ser comprado na Sephora por R$210,00.

4 - Carimbos de letras e números
Minha coleção de coisas de papelaria só vai ficar completa e feliz quando eu tiver esses carimbos fofos. Esses são vendidos na Toda Coisinha por R$61,00.



5 - Livro The Signature of All Things
Esse livro é um dos meus favoritos da vida inteira e eu ainda não superei o fato de não ter essa edição em capa dura com essa arte linda. Ela está à venda na Saraiva por R$111,90.

6 - Blur Mágico L'oréal
Sintam-se apresentados ao novo produto da moda: o Blur Mágico da L'oréal. Esse poção mágica tem um efeito óptico que disfarça rugas, linhas e poros e te deixa com pele de boneca. Você pode comprar na Dafiti por R$39,90.

7 - Bolsa Mini Carson
Eu tenho muita vontade e nenhum dinheiro pra realizar o sonho de comprar uma bolsa Kate Spade! haha O fato é que sonhar não custa nada e eu acho esse modelo uma belezinha. Quem sabe um dia? Essa custa R$728,00 no site da Kate Spade.

8 - Paleta Naked Smoky
Siiiiiim! Existe uma nova Paleta de sombras Naked no mundo! E, como sempre, já sabemos que a novidade terá cores lindas, fáceis de coordenar entre si e, principalmente, com alta qualidade, duração e pigmentação. Ela deve chegar ao Brasil lá pro fim do ano custando algo em torno de R$220,00.


E aí, curtiram os achados? 

Se apaixonaram por algum deles?

Contem nos comentários!



quarta-feira, 10 de junho de 2015

A Revista Capricho vai acabar =(


Essa foto é de uma das minhas edições favoritas,
com a Grazi na capa!


Admito que uma pequena comoção tomou conta de mim quando,  há alguns dias, eu li a notícia de que a Revista Capricho (ai ai... a boa e velha Capricho) seria descontinuada (em sua versão impressa).

A primeira coisa que me passou pela cabeça era como eu adorava ler essa revista. Ficava ansiosa, perguntando quase toda semana na banca se a revista nova já tinha chegado. 

Teve um ano que eu ganhei uma assinatura de presente de aniversário. Haha Sonho realizado!  Aí, foi o porteiro que não teve paz. Perguntava TODA VEZ que passava pela entrada do prédio:

“Minha revista chegou?”

Rasgava o plástico com cuidado pra não deixar nenhuma marca ou arranhão na capa, e avaliava se a edição tava mais gordinha ou magrinha (quanto mais páginas melhor). Eu não pulava nenhuma parte, nenhuma matéria e nem o índice porque eu queria aproveitar o máximo daquela experiência. E depois repassava pras amigas. Todas tinham que ler pra depois comentarmos os fatos, os testes, as modas, tudo que a revista trazia. E, depois, claro, a revista tinha que voltar pra minha casa, onde eu empilhava na minha coleção que ficava na prateleira de cima do guarda-roupa.

Era um apego infinito. Tantos momentos divertidos!

A Capricho significava ler o horóscopo em voz alta pras amigas e decidir se ele estava batendo ou não com a nossa realidade, significava ler as entrevistas das suas celebridades favoritas que estavam na capa e achar que sabia tudo sobre elas, significava se achar muito rebelde porque na catequese diziam que era errado ler esse tipo de revista, significava uma das únicas maneiras de saber mais do que tava acontecendo num mundo em que a internet ainda não era um fenômeno avassalador. Como a gente ficaria sabendo das bandas, das marcas, dos filmes, dos livros que estavam bombando sem internet?

Olhando assim pra trás eu vejo o quanto a Revista Capricho me fez aprender uma coisa: o absoluto prazer da leitura. Sem a obrigação de ler pra ficar mais inteligente, ou passar numa prova ou teste ou por qualquer outra necessidade. Só pelo prazer. E junto com isso, o prazer de acompanhar uma revista. Saber o estilo da escrita, conhecer as colunas, ficar ansiosa quando tinha aquelas notinhas dizendo o que viria na próxima edição... ai, bons tempos!

Uma pena esse fim, mas foi bom enquanto durou!

Achei que minha última Capricho tinha sido comprada há muitos anos atrás, mas com a notícia do fim, fui correndo na banca comprar um exemplar pra mim.

Lendo hoje, assim com 24 anos, me senti meio boba, mas me diverti exatamente da mesma forma.


Vida longa à Capricho!

domingo, 7 de junho de 2015

Top 5 Músicas!








Oi!

Como eu esperava, a semana foi muito corrida! Mas eu prometi e cá estou trazendo o post de domingo. Pra relaxar e dar energias boas pra próxima semana, decidi fazer um Top 5 Músicas!

Vamos ouvir?

#5 Jessie J - Flashlight

Vocês gostam daquele filme com a Anna Kendrick, A Escolha Perfeita (Pitch Perfect)? Eu amo esse filme! E tô super ansiosa pra ver logo a sequência dele! Flashlight, da Jessie J, faz parte da trilha sonora e tem um clipe cheio de cenas no novo filme que vão te deixar com mais vontade de ver logo!



#4 Foster The People - Call It What You Want

Fazia tempo que eu não escutava Foster the People, mas ressuscitei um álbum deles no celular e adorei de novo essa música. Achei o clipe muito legal!





#3 Vance Joy - "First Time"

Vance Joy é meio que novidade pra mim. Mas, foi só ouvir First Time pra eu ficar muito viciada. A música é linda, super gostosa de ouvir e o refrão gruda na cabeça! 





#2 Passion Pit - Carried Away

Eu sempre ouvia essa música sem saber de quem era ou qual era o nome e curtia demais, mas aí esquecia de procurar. Só esses dias me deu um estalo de ir atrás. Achei e fiquei apaixonada... Ouvi muitas e muitas vezes. O clipe é uma graça! <3



#1 Stevie Wonder - For Once in My Life

Stevie Wonder dispensa apresentações e essa música também, né? Uma das músicas mais legais da vida! Tem que ouvir e ser feliz!




sábado, 30 de maio de 2015

Correria e Novidades!






Oi!

Esse post tem uma razão: eu tava com muita saudade de escrever aqui no blog! <3 E queria aproveitar pra atualizar o bb&b contando um pouco sobre os meus últimos dias.

As últimas semanas têm sido muito puxadas (por conta do meu trabalho) já que estou na reta final de um projeto grande e isso tomou totalmente o meu tempo, a minha energia e a minha criatividade. Além disso, vou viajar a trabalho no início da semana e essa é uma das coisas mais cansativas que existem no mundo.

Eu fico muito triste quando não consigo manter aqui no blog a periodicidade que eu tenho em mente que é dia sim, dia não. Tem semana que dá certo, tem semana que não dá, mas juro que faço o máximo pra manter essa frequência e vou continuar tentando. Sei que é muito chato entrar e ver o blog desatualizado. Na semana que vem, com a ajuda do feriado, prometo deixar tudo em dia.

E, a partir da próxima semana, também vou dar prosseguimento a um projeto MUITO LEGAL e que eu tô MUITO ANSIOSA pra começar que vai deixar o blog MUITO MAIS ESPECIAL! Eu conto mais em breve! #surpresas

Sobre o Projeto Poupa Laís, estou fazendo o máximo pra me manter na linha e contando com muita ajuda e muita repreensão dos meus amigos! haha Algumas coisas são mais fáceis que outras. Quando completarmos um mês de projeto, eu conto com detalhes sobre a tentativa de cumprir cada uma das metas e sobre onde eu pisei na bola.

O Phelipe e eu estamos empolgados com um “especial” que vai reunir várias receitas dentro de um tema que a gente já escolheu (e que, por enquanto, é surpresa!). Quero muito que chegue logo! Tô doida pra ver no ar!

Estou pensando em vários posts legais pra postar assim que essa correria toda der uma aliviada. Quero encher o blog de novidades e quero saber as sugestões de vocês. Contem nos comentários que tipo de posts vocês querem ver por aqui, ok?!

Prometo que nos falaremos com mais frequência na próxima semana, está bem?

Beijos,


Laís

quarta-feira, 27 de maio de 2015

O Teste Bechdel - Como medir representatividade na mídia



1º Quadro: “Dykes to Watch Out For” apresenta: “A Regra”; com agradecimentos a Liz Wallace

Mulher 1: “Quer ver um filme e comer uma pipoca? ”


Mulher 2: “Bem...não sei. Eu tenho uma regra, sabe... Eu só vou ao cinema se o filme satisfaz três requerimentos básicos. Um, ter ao menos duas mulheres... que, Dois, conversam entre si sobre, Três, alguma coisa que não seja um homem”.



Mulher 1: “Bem restrito, mas uma boa ideia”



Mulher 2:  “Nem me fale. O último filme que eu pude ver foi “Alien”... as duas mulheres no filme falam sobre o monstro.”


Mulher 1: “Quer ir pra minha casa e fazer pipoca?”


Mulher 2:  “Aí sim!”

***


Essa tirinha tem 30 anos. Feita pela desenhista Alison Bechdel, ela foi publicada em 1985 e desde então, a regra apresentada nela ficou conhecida como Bechdel Test (teste Bechdel) ou Bechdel Rule (regra Bechdel), por causa do nome da autora.


O teste ganhou vida na internet, segundo a própria Alison, quando estudantes de cinema, nos anos 2000, começaram a discuti-lo. Existe uma base de dados sobre filmes que passam no teste que pode ser editada pelos usuários e que está bastante atualizada: Os Vingadores a Era de Ultron é o último filme inserido (e é considerado como passando no teste, por sinal).


Em 2009, o teste foi assunto de um post no site Feminist Frequency que discute questões feministas dentro da cultura pop. O teste Bechdel ressurgiu à superfície da internet em 2013, quando uma cadeia de cinemas na Suécia decidiu “medir” seus filmes de acordo com os requerimentos do teste, como uma espécie de classificação indicativa mas sobre a presença feminina nos filmes. O objetivo era chamar atenção para a desigualdade na representação feminina em filmes e eles conseguiram. Desde então, o teste Bechdel e outros questionamentos sobre a presença feminina em filmes e outros meios, além das críticas a eles, figuram regularmente em sites de notícia na internet.

Tá, mas por que isso é importante mesmo?

Para destacar a relevância atual do teste de Bechdel para a indústria do cinema, vamos rever seus princípios:

Para um filme passar no teste, ele deve conter os três simples elementos a seguir:

1)      Duas ou mais personagens que são mulheres (com nomes mencionados durante o filme)
2)      Um diálogo entre as duas - ou mais - mulheres
3)      O diálogo deve ser sobre qualquer coisa que não seja um homem

Simples, facinho de passar, não?

Pense mais um pouco.

Você consegue nomear um único filme que tenha visto recentemente que respeite os três princípios, sem sombra de dúvida?

Pois é. Vejamos uma pequena lista dos filmes que foram grandes sucesso de bilheteria (ou seja, que um montão de gente viu) que não passam no teste (e alguns nem tão sucessos assim):

Batman – O Cavaleiro das Trevas;
Todos-os-outros-filmes-do-Christopher-Nolan;
Distrito 9;
Quem quer ser um Milionário;
Shrek;
Watchmen;
A Identidade Bourne;
Transformers;
Brüno;
O Grande Lebowski;
Piratas do Caribe 1, 2 e 3;
Homens de Preto;
Clube da Luta;
O Quinto Elemento;
Milk;
Alien 3;
O Senhor dos Anéis 1, 2 e 3;
X-Men;
Wolverine;
When Harry Met Sally;
De Volta pro Futuro 1, 2 e 3;
Tomb Raider;
Pulp Fiction;
Seven;
A Rede Social;
Todos os Harry Potter;
Avatar;
Guerra nas Estrelas episódios IV, V e VI;
Como perder um homem em 10 dias;
Tão Longe e Tão Perto;
Oblivion;
Os Vingadores 1 e outros!

Muitas vezes, mesmo quando um filme passa no teste, a interação entre as personagens é curtíssima ou pouco relevante para a história central do filme e é apenas um adendo, uma curiosidade ou uma piada.

Um exemplo que está sendo debatido neste momento é o filme ‘Vingadores 2 - A Era de Ultron’, que já arrecadou mais de US$ 1 bilhão em bilheterias no mundo todo.

Existem pelo menos quatro personagens femininos importantes no filme: Viúva Negra, Feiticeira Escarlate, a agente Maria Hill e Laura Barton, esposa do Gavião Arqueiro.

Primeira condição: check!

Existem – poucos - diálogos entre as personagens femininas.

Segunda condição... check.

O único diálogo que contempla a condição 3 é entre Viúva Negra e Laura Barton, quando a primeira pergunta sobre a gravidez da segunda e dá a entender que espera que a criança seja menina. Laura então responde a Viúva que é um menino. Viúva então sussurra pro barrigão: “traidor”.

Terceira condição... hum... check, né, fazer o quê?

Veja bem, o teste de Bechdel não existe para medir a qualidade do roteiro, direção, fotografia – a qualidade de um filme em geral. O teste, como já apontado por inúmeros artigos internet afora, não é nem uma base para dizer se um filme é feminista ou não.

Notem: duas das três condições para passar o teste indicam apenas a existência, em um filme, de dois membros, falantes, do sexo que é, aproximadamente, a outra metade da população mundial. Nada sofisticado, só existir no filme, mesmo.

Assim, o teste apenas nos faz constatar uma simples e triste realidade: mulheres não são representadas em filmes.

Isso era verdade em 1985 e continua sendo verdade em 2015.

Outros testes inspirados no Bechdel

Diálogos com mais de 60 segundos: Em 2011, a criadora do Feminist Frequencies, Anita Sarkeesian, adicionou mais um detalhe à terceira condição do teste Bechdel: que o diálogo entre as mulheres e que não seja sobre um homem dure mais de 60 segundos. Isso mesmo, segundos. A constatação? Apenas 3 dos filmes concorrendo ao Oscar de melhor filme à época passavam no teste.

Teste Bechdel racial: Alaya Dawn Johnson, em 2009, no site The Angry Black Woman, propôs pela primeira vez o teste Bechdel aplicado a “pessoas de cor” (termo largamente utilizado nos EUA para descrever negros e pessoas com outras cores de pele/raças que não a branca/caucasiana). As condições para uma obra de ficção passar nesse teste são as seguintes: 1) ter uma “pessoa de cor”; que 2) conversam entre si; sobre 3) alguma coisa além de uma pessoa branca.

Teste Vito Russo para personagens LGBT: as condições do teste são as seguintes: 1) conter um personagem que é claramente identificado como lésbica, gay, bissexual e/ou transgênero; 2) O personagem não ser definido predominantemente apenas por sua orientação sexual ou identidade de gênero (possuir o mesmo tipo de traços únicos usados para diferenciar entre personagens não identificados como LGBT); 3) O personagem LGBT deve estar inserido na história de forma que sua remoção dela teria efeito significativo.

Teste Mako Mori: em 2013, saiu Círculo de Fogo, que eu adoro, S2 pra Charlie Hunnam, S2 pra Idris Elba, S2 pra Rinko Kinkuchi, S2 pra Gypsy Danger. Porém, para tristeza de muitos, só que não, não passa no teste Bechdel. A personagem de Kinkuchi, Mako Mori, é para todos os efeitos a única personagem mulher com fala no filme e ela conversa basicamente com os personagens de Elba e Hunnam. Os fãs do filme, e alguns críticos também, consideram a presença de Mori relevante o suficiente para o filme para justificar a criação de uma outra forma de avaliação de filmes, que contém a presença de importantes personagens femininos, mas que não se encaixam na restrita objetividade do teste Bechdel. As condições do teste Mako Mori são: 1) existir pelo menos um personagem feminino; que 2) tem seu próprio arco narrativo; e este 3) não tem como objetivo dar suporte à história de um homem.

Todos os testes podem ser criticados por diversos ângulos diferentes. O teste Bechdel, por estar em maior evidência, sofre a maior quantidade de críticas, mas, por outro lado, recebe a maior quantidade de elogios também. A superioridade do teste Bechdel com relação aos outros, apontada por vários artigos, está justamente na sua objetividade. 

As condições do teste são simples e diretas e utilizam termos absolutos, que não variam - ou variam pouco - seu significado de pessoa para pessoa: 

(quantidade de mulher > ou = 2) + diálogo + (assunto ≠ homem) = aprovação no teste Bechdel.

p.s. Não critiquem minha equação, sou de humanas.


Já os outros testes utilizam termos mais difusos ou que possuem significado que pode variar de individuo para individuo: “ser claramente identificado” ou “dar suporte à história de um homem”. Fica difícil separar o arco narrativo de Mako Mori da história de Raleigh quando eles passam boa parte do filme um dentro da cabeça do outro conectados por uma ponte neural. 

Por outro lado, um dos dois diálogos entre duas mulheres em Os Vingadores A Era de Ultron ser sobre um bebê do sexo masculino é objetivo o suficiente para passar/reprovar no teste Bechdel? Nós, seres humanos, somos complexos e por mais que um teste seja objetivo nós vamos achar um jeito de complexificá-lo?! (Neologismo a gente vê por aqui).

A existência, multiplicidade e interesse por esses testes só existem porque há um terreno fértil de falta de representatividade de “minorias”. E é justamente essa a crítica mais contundente aos testes e à tendência - sempre obsessiva - da websfera de discuti-los: ao invés de discutir o problema estamos discutindo os medidores do problema.

Já sabemos que Hollywood e outras indústrias de cinema são sexistas, ou, ao menos, quase completamente ocupadas por homens. Tem dúvidas? Quer evidências? Mais de 90% dos votantes do Oscar são homens, brancos. Sabe quando foi a primeira vez que uma mulher recebeu um Oscar por melhor direção? No octagésimo ano da premiação, ontem, em 2008. Quer mais? Basta ir ao cinema. Todos os gêneros de filmes são dominados por histórias, ruins ou incríveis, centradas essencialmente na narrativa masculina.

“Ah, mas que mimimi, quer dizer que não pode ver história de homem sendo contada?”

Pode, tanto que é o que vemos, em todas as mídias, todos os dias. Mas, assim como os homens, mulheres são filhas, têm filhos, têm trabalhos, têm carreiras, têm ideias, têm sentimentos, passam da infância à adolescência, da idade adulta à velhice, viveram e lutaram em guerras, dirigem carros, cometem crimes, se redimem de crimes, são artistas, são gente comum, e, apesar de produzirem mil histórias que poderiam ser contadas em qualquer meio, inclusive o cinema, não é isso que vemos na prática.

A representatividade é mais importante do que admitimos, à primeira vista. Ela está ligada à formação de nossas identidades, de quem somos e seremos. Através de livros, cinema, músicas, TV e internet recebemos constantemente imagens, ou modelos do que é normal, do que é certo, do que é errado, bonito e feio.

É necessária uma tremenda presença de espírito para não ser afetado por essas ideias e construir parte de sua identidade a partir delas. 

Assim, se os meios lhe apresentam incessantemente um ideal de mulher que centra a sua vida nos seus relacionamentos amorosos e, como o teste Bechdel nos mostra, quase nunca interage com outras mulheres, ao passo em que homens são representados nos mais diferentes tipos e ideias - intelectuais, fortes, artísticos, rebeldes, revolucionários – fica difícil esperar que as mulheres não se limitem aos ideais femininos ou tenham que superar obstáculos tremendos para se desvencilhar deles e construir seus próprios modelos. E, apesar da dificuldade, fazemos isso todos os dias. Olha que roteiro lindo de superação! Cadê o filme sobre isso?!

Não estou pedindo que você faça como as mulheres do quadrinho e adote o teste Bechdel ou qualquer um dos outros como regra para o seu consumo de cultura. Espero que você abra os olhos para a realidade que os testes apresentam: falta de diversidade.

Ler livros escritos por mulheres, ver filmes feitos e atuados por mulheres, escutar músicas feitas por mulheres...consumir todas essas categorias produzidas por estrangeiros, negros, gays, trans definitivamente ampliará seus horizontes e te ajudará a perceber o quão mais ricas e interessantes nossas histórias podem ser.

Post feito por
Bárbara Brant